8:14 PM
ELIANE, AMOR DE MINHA VIDA
Na cautela dos meus sentimentos,vejo a benevolência em sentir o amor,ele tão frágil, tão dócil,como a canção de ninar de um anjo.Sinto que os anos passam,e que as estações se cumprem,porém algumas sensações continuam as mesmas.As pessoas dizem que o amor é eterno enquanto dura,porém amor que é amor não se apaga, não se esquece, não se morre...Hoje se ama mais que ontem, e menos que amanhã,pois amor que é amor tende a crescer cada dia mais e mais.E se por algum motivo o desejo de se amar se diminuir,cabe aos amantes que acendam novamente a chama de amar.Amar é lindo, amar é perfeito.Quem ama vive por duas eternidades.

A VIDA COMO ELA É!!!
"O OUTRO OLHAR"


Sempre que leio os textos de Rubem Alves meu corpo se modifica. Não o corpo físico, mas o corpo da alma. Alguns trechos me fazem evocar, do fundo do baú que guarda os meus sentimentos adormecidos, as lembranças que estavam quietas esperando apenas o tempo e os atos certos para serem acordadas. Essas palavras, atos maravilhosos e às vezes até encantados, me fazem despertar sentimentos, desejos, sonhos e lembranças que têm o poder de me fazer diferente. Li em uma de suas crônicas sobre a capacidade que algumas pessoas têm para ver. Não o ver como um ato físico, mas como uma capacidade que está além dos olhos, como “uma experiência poética de felicidade.” Pensando sobre esse poder de ver diferente — aquela capacidade que temos de guardar a imagem em nossa alma e evocá-la sempre que sentimos desejo de recordá-la para viver uma experiência de ternura — comecei a querer rever todas as imagens que me fizeram e ainda me fazem um enorme bem. Procurei o meu outro olho para que ele resgatasse as imagens que amo e que, por isso mesmo, não se foram depois que o meu olho físico as apreenderam. Assim, passei algum tempo resgatando minhas boas imagens. Fechei os olhos físicos e abri os olhos da alma. Revi cenas maravilhosas que estavam esperando que eu as chamasse para que elas pudessem me fazer ter muita alegria. Revi meus amigos, o olhar terno das pessoas que amo, as paisagens que tocaram meu coração e me fizeram ter vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, o sorriso dado sem compromisso por aqueles que vi apenas uma vez, a cena do beijo suave que acariciou a minha alma, o olhar terno do ser amado... Tudo veio a mim como crianças que chegam apressadas, cheias de novidades, loucas para serem vistas e ouvidas. Descobri que todas essas imagens foram guardadas em mim porque antes de serem vistas já faziam parte da minha alma. O jogo da sedução já havia feito o seu trabalho. Como diz Rubem Alves: “A sedução antecede a visão.” Mas algumas cenas se fizeram mais presentes do que outras. E eu não entendia por que me eram tão fortes e marcantes. Lembrei de Platão. Ele criava mitos para explicar o inexplicável. Um deles foi criado para explicar a experiência do belo. Ele inventou que antes de nascermos vivemos em um mundo espiritual onde se encontram todas as coisas belas. Mas quando nascemos nos esquecemos delas, embora elas permaneçam adormecidas no nosso espírito esperando o dia de serem acordadas. Eu, então, entendi porque aquelas lembranças me eram tão fortes. Elas já faziam parte do meu ser porque, um dia, já foram vistas e amadas por mim por terem sido o belo que me cativara. Compreendi, também, a minha relação de amor com aquela que se fez importante para mim sem eu saber o porquê. Compreendi que ela já habitava a minha alma sem eu saber e, no momento em que a vi, eu estava apenas realizando um re-encontro. Acho que assim como Platão inventou o mito do belo, também existe o mito do amor. Há amores que existem em nossa alma porque, um dia, foram cativados, amados e passaram a fazer parte do nosso espírito, aguardando somente o dia do rever. Eles esperavam apenas que acontecesse o re-encontro para re-começar uma bela relação de amor. Foi por isso que lembrei de Fernando Pessoa. Ele traduz esse mito do amor de uma forma muito bonita: “Quando te vi amei-te já muito antes, tornei a encontrar-te quando te achei...”. compreendi que o meu espírito é habitado por tudo aquilo que um dia me foi importante e estava guardado, esperando apenas que eu me tornasse sensível o bastante para educar os olhos da minha alma para enxergá-los onde sempre estiveram. Como disse no início, Rubem Alves tem o poder de me modificar com suas palavras. Sua escrita me faz voltar para o meu mundo adormecido onde guardo todas as coisas que me fazem sentir alegria e são importantes para que eu sempre realize um reencontro com tudo aquilo que sempre esteve ao meu lado.
Macapá, 05 de junho de 2007
Jota Júnior do Brasil
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7:51 PM

VIVENDO VÁRIAS VIDAS

Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga.Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada.(Raul Seixas e Paulo Coelho)

A maioria de nós vive uma vida única, ou uma vida dupla.
Quando se trabalha oito horas por dia na mesma coisa, e gastando ainda boa parte do tempo acordado indo para o trabalho, voltando do trabalho, descansando do trabalho, comendo nos intervalos... é fácil ter a sensação de que vivemos uma vida única. Independente de ser agradável ou não, a vida única tem o conforto de que as coisas fazem sentido, talvez não o sentido desejado, mas um sentido de qualquer maneira. Por isso muitas pessoas, e nós muitas vezes, não nos permitimos fazer uma mudança dessa vida única para um outro estilo de vida: porque a mudança implicará na perda momentânea de sentido. Nós queremos ter a segurança de que estamos indo para algum lugar, mesmo que esse lugar seja o inferno.
Tem gente que não está satisfeita com a vida única, não quer se dar ao trabalho de mudá-la, mas encontra uma saída: viver uma segunda vida, paralela à primeira. São pessoas que desenvolvem hobbies muito importantes em suas vidas: dormir, ver filmes, ler livros, viajar, colecionar objetos... Sempre que não estão trabalhando, elas se dedicam quase que exclusivamente a um desses hobbies, ou a uma combinação deles. Essas pessoas dizem para si mesmas que o hobby é a vida única real delas e que a vida única do trabalho é apenas uma maneira de sustentar economicamente seu hobby.
Algumas pessoas, entretanto, ou nós algumas vezes na vida, vivem não uma ou duas vidas mas várias e diferenciadas vidas ao mesmo tempo ou em seqüência rápida e contínua. Para alguns de meus leitores, essa afirmação soará natural: como tenho vivido dessa forma boa parte da minha vida, creio que tendo a atrair leitores assim. Para outros leitores, essa vida múltipla deve beirar o impensável, o inconcebíbel, o inimaginável. Serei bem didático então...
Uma vida múltipla começa pela ausência ou pela quantidade reduzida de horários fixos. Quem vive várias vidas não tem hora certa para acordar nem para dormir, tem poucos compromissos fixos e cumpre uma agenda que poderia muito bem ser de propriedade de um louco. É uma vida que não aconselho pra quem gosta de que as coisas façam sentido facilmente. Porque uma vida assim faz sentido, só que com alguma dificuldade.
É preciso uma visão de mundo para sustentar uma vida, seja ela única, dupla ou múltipla. As pessoas de vida única normalmente encontram sentido fácil numa ideologia de trabalho, carreira, construção de patrimônio e busca de sucesso e segurança material. As pessoas de vida dupla sustentam-se numa certa visão — mais flexível diga-se de passagem — de dualidade, de alternância, de onda no mar, de vaivém; se parassem para pensar em outra coisa que não seu hobby, tais pessoas pensariam em si mesmas como pêndulos ou como luas e suas fases bem definidas: crescente para cheia, minguante para nova.
As pessoas que vivem vidas múltiplas, ou que passam por fases de viver vidas múltiplas, têm que ser mais criativas para encontrar uma visão de mundo que dê sentido à aparente confusão com que a vida se apresenta nesses momentos. Alguns são partidários do niilismo, e vão levando a vida sempre na insustentabilidade das conclusões provisórias, outras pensam que devem aproveitar a vida a cada momento e sem tempo a perder. Tenho um pouco dessas duas visões, mas elas são principalmente destrutivas, negativas — sem nenhum sentido pejorativo — e quem quer viver várias vidas têm que ter também umas cartas positivas, construtivas na manga.
Aí é que entra a astrologia. Normalmente só sabemos nosso signo: Escorpião, Áries, Peixes... Nem desconfiamos que esse é apenas nosso signo solar, aquele em que o sol está, e que também temos nosso signo lunar, nosso signo marcial, nosso signo venusiano... As pessoas de vida única vivem pelo seu Sol (uma vida mais consciente), ou pela sua Lua (uma vida mais inconsciente). As pessoas de vida dupla normalmente alternam seu astro básico mais forte com o conjunto de seus outros astros mais fracos.
As pessoas de vida múltipla não gostam de estabelecer prioridades. Querem seu tempo de Sol e seu tempo de Lua, mas também seu tempo de Mercúrio e seu tempo de Júpiter, todos conscientemente vividos e expressos em atividades variadas durante o dia ou durante os dias. Como os planetas se movimentam em velocidades diferentes, e compõem ciclos temporais de diferentes extensões, cruzando-se sempre em novas configurações, é praticamente impossível fazer um calendário de vida que faça um sentido único. Mesmo porque talvez esse sentido não exista, e é necessário aproveitar a energia de cada momento de maneira particular e especial.
Se alguma coisa então, na vida de um múltiplo, se mantém mesmo no turbilhão dos diferentes ciclos, é porque há coisas que insistem em permanecer, em fazer sentido contínuo. Se isso se dá ainda por um resquício de acomodação ou por que essas coisas são partes constituintes da própria pessoa, é um mistério que as pessoas de vida múltipla, — como eu — ainda têm que decifrar.
Macapá, 05 de junho de 2007
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7:40 PM
FALANDO DE AMOR

O nome desta crônica leva o mesmo título de uma manifestação poética que Débora Guimarães organizou no Botanic, (um bar no Rio de Janeiro), em 1986. O tema não é sobre poesia, porém, embora ela seja onipresente; antecipo-me por alguns dias ao Dia dos Namorados, para enfocar este sentimento tão contraditório, motivo de inquietação para uns, e razão da própria vida, para outros. Compartilho com vocês algumas frases interessantes sobre o amor, ditas por escritores célebres ou pela fala de seus personagens. Não que eu concorde com todas elas, mas acho-as importantes, como matéria de questionamento, a fim de conhecermos melhor as percepções que orientam nossas posturas e comportamentos. * "Quantos homens ignorariam o amor, se nunca tivessem lido romances" - La Rochefoucauld* "O amor é inabitável" - Michel Déon* "A felicidade do homem está em "eu quero"; a felicidade da mulher, em "ele quer" - Nietzsche* "Os amores possíveis são para os medíocres. Os que sabem, têm amores impossíveis" - Provérbio espanhol.* "Não toqueis nas leis do amor se não com as mãos trêmulas" - Serge Beucler* "... E se incendeias meu cérebro/ Então te conduzirei no meu sangue" - Rilke* "Trágico no amor: os seres se procuram além do que são" - Henri Petit* "O amor, certamente, faria correr menos tinta, se tornasse as pessoas mais felizes" - Maurice Chapelan* "Que cumplicidade entre todas as artes para mascarar a figura animal do Amor!" - Henri Troyat* "Em nome de que crença, de que mito alojamos nele o amor? O coração não passa de uma máquina, uma máquina maravilhosa" - Michel Deon* "Quero que meus livros sejam bem encadernados e que falem de amor" - Shakespeare* "Bem sei que se ama melhor porque Safo, Teócrito, Donne e Marvell imortalizaram seus amores por meio da poesia" - J. B. Haldane* "Um amor antigo é um cárcere" - Petrônio * "O amor não tem idade: está sempre nascendo" - Pascal* "Amar se aprende amando" - Carlos Drummond de Andrade* "O amor é o arquiteto do universo" - Hesíodo* "Amor é planta mágica e daninha cujo perfume as almas envenenam" - Bastos Tigre* "O amor não é, de maneira alguma, um sentimento espontâneo e natural, posto, outrora, no coração do ser humano, pelo Criador, mas sim um produto da civilização. É o resultado de mil coisas adquiridas pela humanidade desde que existe. O amor é um produto de costumes, de convenções, de tradições, de sensibilidade, de organização social, de literatura, etc. Um dia há algumas dezenas de milenários, o amor foi inventado, como a roda, e isto marcou uma etapa na evolução humana" - Jean Dutourd. A surpresa maior, no entanto, reservei para o final: tenho outro motivo para falar de amor justamente hoje. Se antecipei-me ao Dia dos Namorados, esta crônica é um dos meus presentes para vocês. E, dentro deste clima, faço minhas as palavras de Fulller, quando diz: "nunca atingem os céus aqueles que desejam chegar lá sozinhos". Então, Urha, para você, com você e por todos os abstratos e concretos céus da Terra...!

Macapá, 04 de junho de 2007

Jota Júnior
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