ELIANE, AMOR DE MINHA VIDA
Na cautela dos meus sentimentos,vejo a benevolência em sentir o amor,ele tão frágil, tão dócil,como a canção de ninar de um anjo.Sinto que os anos passam,e que as estações se cumprem,porém algumas sensações continuam as mesmas.As pessoas dizem que o amor é eterno enquanto dura,porém amor que é amor não se apaga, não se esquece, não se morre...Hoje se ama mais que ontem, e menos que amanhã,pois amor que é amor tende a crescer cada dia mais e mais.E se por algum motivo o desejo de se amar se diminuir,cabe aos amantes que acendam novamente a chama de amar.Amar é lindo, amar é perfeito.Quem ama vive por duas eternidades.

A VIDA COMO ELA É!!!
"O OUTRO OLHAR"


Sempre que leio os textos de Rubem Alves meu corpo se modifica. Não o corpo físico, mas o corpo da alma. Alguns trechos me fazem evocar, do fundo do baú que guarda os meus sentimentos adormecidos, as lembranças que estavam quietas esperando apenas o tempo e os atos certos para serem acordadas. Essas palavras, atos maravilhosos e às vezes até encantados, me fazem despertar sentimentos, desejos, sonhos e lembranças que têm o poder de me fazer diferente. Li em uma de suas crônicas sobre a capacidade que algumas pessoas têm para ver. Não o ver como um ato físico, mas como uma capacidade que está além dos olhos, como “uma experiência poética de felicidade.” Pensando sobre esse poder de ver diferente — aquela capacidade que temos de guardar a imagem em nossa alma e evocá-la sempre que sentimos desejo de recordá-la para viver uma experiência de ternura — comecei a querer rever todas as imagens que me fizeram e ainda me fazem um enorme bem. Procurei o meu outro olho para que ele resgatasse as imagens que amo e que, por isso mesmo, não se foram depois que o meu olho físico as apreenderam. Assim, passei algum tempo resgatando minhas boas imagens. Fechei os olhos físicos e abri os olhos da alma. Revi cenas maravilhosas que estavam esperando que eu as chamasse para que elas pudessem me fazer ter muita alegria. Revi meus amigos, o olhar terno das pessoas que amo, as paisagens que tocaram meu coração e me fizeram ter vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, o sorriso dado sem compromisso por aqueles que vi apenas uma vez, a cena do beijo suave que acariciou a minha alma, o olhar terno do ser amado... Tudo veio a mim como crianças que chegam apressadas, cheias de novidades, loucas para serem vistas e ouvidas. Descobri que todas essas imagens foram guardadas em mim porque antes de serem vistas já faziam parte da minha alma. O jogo da sedução já havia feito o seu trabalho. Como diz Rubem Alves: “A sedução antecede a visão.” Mas algumas cenas se fizeram mais presentes do que outras. E eu não entendia por que me eram tão fortes e marcantes. Lembrei de Platão. Ele criava mitos para explicar o inexplicável. Um deles foi criado para explicar a experiência do belo. Ele inventou que antes de nascermos vivemos em um mundo espiritual onde se encontram todas as coisas belas. Mas quando nascemos nos esquecemos delas, embora elas permaneçam adormecidas no nosso espírito esperando o dia de serem acordadas. Eu, então, entendi porque aquelas lembranças me eram tão fortes. Elas já faziam parte do meu ser porque, um dia, já foram vistas e amadas por mim por terem sido o belo que me cativara. Compreendi, também, a minha relação de amor com aquela que se fez importante para mim sem eu saber o porquê. Compreendi que ela já habitava a minha alma sem eu saber e, no momento em que a vi, eu estava apenas realizando um re-encontro. Acho que assim como Platão inventou o mito do belo, também existe o mito do amor. Há amores que existem em nossa alma porque, um dia, foram cativados, amados e passaram a fazer parte do nosso espírito, aguardando somente o dia do rever. Eles esperavam apenas que acontecesse o re-encontro para re-começar uma bela relação de amor. Foi por isso que lembrei de Fernando Pessoa. Ele traduz esse mito do amor de uma forma muito bonita: “Quando te vi amei-te já muito antes, tornei a encontrar-te quando te achei...”. compreendi que o meu espírito é habitado por tudo aquilo que um dia me foi importante e estava guardado, esperando apenas que eu me tornasse sensível o bastante para educar os olhos da minha alma para enxergá-los onde sempre estiveram. Como disse no início, Rubem Alves tem o poder de me modificar com suas palavras. Sua escrita me faz voltar para o meu mundo adormecido onde guardo todas as coisas que me fazem sentir alegria e são importantes para que eu sempre realize um reencontro com tudo aquilo que sempre esteve ao meu lado.
Macapá, 05 de junho de 2007
Jota Júnior do Brasil

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